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CORINGA

Na Telona

O Batman apareceu pela primeira vez na edição 27 da revista Detective Comics, em maio de 1939. Seu maior inimigo, o Coringa, surgiu menos de um ano depois, em abril de 1940, justamente no número 1 da revista do Batman. Ou seja, desde sempre o “palhaço do crime” foi o grande oponente do “homem-morcego”. Criado por Bob Kane, Bill Finger e Jerry Robinson, a inspiração veio do ator Conrad Veidt, no filme O Homem Que Ri, dirigido em 1928 por Paul Leni.

Nos quadrinhos, é quase unanimidade, considerar A Piada Mortal, publicada em 1988, com texto de Alan Moore e desenhos de Brian Bolland, a melhor história de origem da personagem. No cinema ele já teve três versões: a primeira, em 1989, vivido por Jack Nicholson, em Batman, de Tim Burton; depois, em 2008, interpretado por Heath Ledger, em Batman: O Cavaleiro das Trevas, de Christopher Nolan; e a terceira, no ano de 2016, no desastroso Esquadrão Suicida, de David Ayer, na pele de Jared Leto.

Em 2019 o nêmesis do paladino de Gothan City ganhou um filme de origem sob a direção de Todd Phillips, que também escreveu o roteiro, junto com Scott Silver. Coringa tem à frente do elenco o ator Joaquin Phoenix, em desempenho quase mediúnico. Mas, apesar do que o título sugere, a obra é centrada na figura de Arthur Fleck, o homem que viria a se tornar o Coringa. Ele trabalha como palhaço, vive com a mãe doente e toda semana visita uma assistente social por conta de problemas mentais. Arthur também é acometido de uma risada incontrolável sempre que fica nervoso. Certo dia ele comete um crime e, a partir daí, gradativamente, a loucura aumenta.

Há em Coringa algumas liberdades narrativas em relação ao universo conhecido do Batman, seja nos quadrinhos ou no cinema. Em especial, na forma como Thomas Wayne (Brett Cullen) é apresentado. A abordagem de Phillips remete ao cinema americano da virada dos anos 1970 para 1980. E Martin Scorsese, em especial nos filmes Taxi Driver e O Rei da Comédia, são duas fortes influências. Não por acaso, Robert De Niro tem participação importante aqui.

A exemplo de outros trabalhos recentes, Coringa se enquadra na categoria de “crítica social” e desenvolve sua narrativa justamente na diferença de classes e na ausência do Estado. Arthur Fleck pode ser considerado uma vítima ou “produto” desse vácuo, no entanto, o filme não usa isso como argumento para endossar as ações que ele empreende. Em outras palavras, explica, mas, não justifica.

A aposta da Warner de investir em um filme de vilão se revelou bem-sucedida. A produção, de pouco mais de 50 milhões de dólares, faturou, apenas nos cinemas, mais de um bilhão de dólares. E ainda recebeu 11 indicações ao Oscar 2020, entre elas a de melhor filme, ator, roteiro adaptado e diretor.

CORINGA (Joker – EUA 2019). Direção: Todd Phillips. Elenco: Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Glenn Fleshler, Leigh Gill e Josh Pais. Duração: 122 minutos. Distribuição: Warner.

Last modified: 18 de janeiro de 2020

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