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O BEIJO NO ASFALTO

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Uma obra de arte se torna clássica por diversas razões. A peça O Beijo no Asfalto foi escrita por Nelson Rodrigues em 1960 e encenada pela primeira vez no ano seguinte. Desde então é um clássico da dramaturgia brasileira. Levada às telas três vezes, em 1964, em 1981 e em 2018, esta última adaptação, com roteiro e direção do ator Murilo Benício, é a mais radical e genial de todas. Benício conduz sua narrativa em diferentes espaços que dialogam entre si e se complementam. Explicando melhor, acompanhamos a leitura do texto da peça com os atores em uma grande mesa, ao mesmo tempo em que vemos o ensaio da peça e o filme. Pode até parecer confuso, no entanto, tudo flui de maneira orgânica e harmônica, belissimamente fotografado em preto e branco por Walter Carvalho. Temos aqui a história de Arandir (Lázaro Ramos). Ele presencia um atropelamento e presta socorro à vítima, que pede um beijo antes de morrer. Este ato de bondade altera por completo a rotina dele e de Selminha (Débora Falabella), sua esposa; e muito angustia Aprígio (Stênio Garcia), seu sogro. Para complicar as coisas, a polícia pressiona de um lado e o repórter sensacionalista Amado Ribeiro (Otávio Müller) do outro. O mais impactante em O Beijo no Asfalto, e isso só reforça seu caráter clássico, é a atualidade dos temas abordados na trama. Da intolerância às fake news; do preconceito aos assédios moral e sexual. Além de outras abordagens feitas pelo roteiro que infelizmente, permanecem bem atuais.

O BEIJO NO ASFALTO (Brasil 2018). Direção: Murilo Benício. Elenco: Lázaro Ramos, Débora Falabella, Otávio Müller, Stênio Garcia, Luiza Tiso, Marcelo Flores, Augusto Madeira e Fernanda Montenegro. Duração: 98 minutos. Distribuição: ArtHouse.

Last modified: 29 de novembro de 2019

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