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VIRGENS ACORRENTADAS

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Existem cineastas que são chamados de mestres, não por terem concluído um mestrado, mas, por terem criado narrativas revolucionárias. Aí eu pergunto: quantos cineastas você conhece que realmente são “mestres”, no sentido de terem defendido uma dissertação de mestrado e conquistado o título? Lembro de alguns que são renomados professores: o húngaro Béla Tarr, o austríaco Michael Haneke e o americano Martin Scorsese. Mas, até onde sei, nenhum deles tem mestrado. O Paulo Biscaia Filho tem.

Ele nasceu, cresceu e vive em Curitiba e é duplamente um mestre. Primeiro, pela Royal Holloway University of London onde obteve o título por conta de sua dissertação a respeito do Grand Guignol, um teatro francês surgido no final do século XIX e que fazia uso do gênero terror. Segundo, pela brilhante trajetória da Vigor Mortis, uma companhia multimídia de teatro, vídeo, quadrinhos e cinema, fundada por ele em 1997.

Virgens Acorrentadas - diretor Paulo Biscaia Filho - foto Nika Braun

Tudo começou depois de uma sessão do filme Os Caçadores da Arca Perdida. Paulo (foto acima) tinha então 13 anos e viu e reviu e reviu a primeira aventura de Indiana Jones mais de 20 vezes. E quando seu pai o presenteou com uma fita VHS que continha o making of do filme, ele teve a certeza de que era aquilo que queria fazer: nascia um cineasta.

Mas, antes de fazer cinema, ele fez teatro. E fez vídeos, e mais teatro, e HQs. E, finalmente, cinema. O primeiro longa foi lançado em 2010, Morgue Story: Sangue, Baiacu e Quadrinhos. O segundo longa veio dois anos depois, Nervo Craniano Zero. E foi justamente quando da participação deste filme no Festival de Cinema de Nova Orleans, nos Estados Unidos, que ele conheceu Gary McClain Gannaway, um professor de literatura inglesa aposentado.

Virgens Acorrentadas - atris jasmine corina 2 - foto Nika Braun

Aquele encontro resultou em amizade e Gary contou que tinha escrito um roteiro intitulado Creature from the Blood Canal. Porém, a produção seria muita cara e ele terminou escrevendo um outro, bem mais barato e que girava em torno de um roteirista que passava por uma situação parecida com a dele, ou seja, o de alguém com dificuldade para fazer um filme. Essa era a premissa de Virgin Cheerleaders in Chains. E Gary convidou Paulo para dirigir o filme.

Paulo nunca tinha dirigido material que não fosse seu. Ou melhor, teve apenas uma exceção, o curta Até que a Morte nos Separe, escrito por outro americano, Brian Townes. Convite aceito, lá foi o cineasta curitibano para Austin, Texas, onde entre abril e maio de 2016 dirigiu sua primeira produção internacional.

Tanto o curta como o novo longa que não foram escritos por ele chegaram em um momento em que o cineasta estava cansado de se ouvir. Para ele, aquilo foi um alívio, pois, “ao mesmo tempo que era uma voz diferente, era uma voz que me representava”.

Virgens Acorrentadas - atrizes Kelsey Pribilski e Elizabeth Maxwell - foto Nika Braun

E o que podemos esperar de Virgens Acorrentadas que chega aos cinemas brasileiros esta semana? Muito sangue, muitos gritos (em especial os da atriz Elizabeth Maxwell, para mim, o melhor grito do cinema desde o de Nancy Allen em Um Tiro na Noite, de Brian DePalma), muito humor, muita  metalinguagem, muita meta-metalinguagem e muita diversão. Diz a lenda que o filme custou apenas 70 mil dólares. Pode até ser verdade. No entanto, dá a impressão que custou bem mais. É perceptível em Virgens Acorrentadas o que os americanos costumam de chamar de “valor de produção”. Então, não perca tempo, chame seus amigos e vá logo ao cinema prestigiar, se assustar e rir bastante.

E antes que você questione o fato de um brasileiro fazer filmes de terror, algo inconcebível na cabeça de muita gente, o próprio Paulo deixa um recado para você: “é muito importante que o Brasil entenda que para termos maturidade no mercado de cinema é preciso diversidade de gêneros e o terror é um gênero possível. Muita gente diz que é impossível fazer cinema de horror no Brasil. Até bem pouco tempo era impossível fazer cinema no Brasil. Então vamos evoluir agora e passar para a próxima etapa”.

VIRGENS ACORRENTADAS (Virgin Cheerleaders in Chains – EUA 2018). Direção: Paulo Biscaia Filho. Elenco: Elizabeth Maxwell, Ariana Guerra, Mona Lee Fultz, Dominique Davalos, Lindsey Lemke, Don Daro, Gary Teague, Amme Nicole Leonards, Kelsey Pribilski e Gary Warner Kent. Duração: 94 minutos. Produção: Big House Pictures e Vigor Mortis. Distribuição: Moro Filmes.

Last modified: 10 de setembro de 2018

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